Caminhos para a Prevenção

Este espaço nasce com o propósito de fortalecer o debate público sobre a prevenção à violência de gênero no Brasil, reunindo reflexões, experiências e propostas construídas por quem atua diretamente nessa agenda. Nosso objetivo é criar uma rede de diálogo entre gestoras públicas, ativistas, acadêmicas e estudantes comprometidas com a construção de uma sociedade mais justa, segura e igualitária para todas as pessoas.

A prevenção é um dos pilares no enfrentamento à violência de gênero — e deve ser pensada de forma intersetorial, com ações articuladas entre diferentes esferas do poder público, da sociedade civil e da comunidade acadêmica. Por isso, este blog se propõe a divulgar pesquisas, campanhas, políticas públicas, materiais educativos e boas práticas desenvolvidas em diferentes contextos e territórios, além de abrir espaço para o intercâmbio de ideias e a escuta ativa entre diferentes vozes. Mais do que informar, queremos mobilizar. Convidamos você a acompanhar nossas publicações, compartilhar seus saberes e se somar a essa construção coletiva.

O Blog é editado por Isadora Vianna Sento-Sé e Ana Beatriz Dutra.

Últimas publicações

O poder que violenta e a fé que sustenta.

Uma reflexão sobre a cegueira intencional sobre os casos de violência nas igrejas evangélicas. Por Rafaely Camilo Essa nota é fruto da minha relação com algumas informantes do meu campo de pesquisa. Escrevo como pesquisadora mulher, branca, que pesquisa gênero e religião, especificamente as mulheres evangélicas. Sou nativa – para usar um termo antropológico – e circulo no meio religioso evangélico há pelo menos 20 anos. Ainda que minha própria noção de sujeito seja permeada pela vivência no campo religioso, e claro, o que exigiu e exige de mim desenvolver a habilidade de “estranhar”, viver no meio evangélico sempre

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“O meu amor também existe”: a realidade da discriminação contra mulheres lésbicas e bissexuais 

Por Ana Beatriz Dutra Pode-se dizer que a sociedade brasileira é tradicionalmente machista e patriarcal, assim, quando falamos de violência contra mulheres ou de violência de gênero, sabemos que o Brasil apresenta muitos casos, sejam eles de violência doméstica, sexual ou outras roupagens que este tipo de violência pode assumir. Sendo assim, quando falamos de violência e discriminação contra mulheres lésbicas e bissexuais – ou seja, a les-bifobia – a realidade não é muito diferente. A les-bifobia se origina a partir das assimetrias de gênero de forma conjunta com a discriminação contra orientações sexuais não-hegemônicas. Assim, mulheres sáficas[1] sofrem tanto

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Violência psicológica contra a mulher: as marcas imateriais da violência de gênero

Por Barbara Lomba “Mulheres que cantam e dançam em festas e locais públicos são as que precisam chamar a atenção de alguma forma, pois não têm nenhuma qualidade”. “Por isso que não dá pra sair com você. Sempre de cara fechada, uma energia ruim… É esse seu complexo de inferioridade. Se compara com outras mulheres que estão no ambiente; não se garante.” “Não entendi por que aquele meu conhecido beijou a sua mão quando foi te cumprimentar. Você deve ter dado alguma condição; devia estar olhando pra ele. O cara não faria isso do nada. Você não é nenhuma

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Lugar de Mulher: A Violência Política de Gênero como um obstáculo à participação feminina

Por Pietra Nogueira A violência contra mulheres dentro do âmbito político se apresenta como um velho obstáculo que, embora sempre presente, só recentemente passou a ser nomeado. Nesse contexto, a violência política de gênero se concretiza como mais uma barreira a uma democracia que seja, de fato, inclusiva, uma vez que desestimula a participação e permanência de mulheres na política representativa formal. Diferente de outras esferas sociais, a violência de gênero na política assume características próprias, moldadas pelo poder e pelo espaço público que historicamente excluiu vozes femininas. Isto é, sendo a política historicamente um espaço masculino, criado por

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As Campanhas como instrumentos de prevenção da violencia de gênero

Por Leila Linhares Barsted A pesquisa Campanhas de Prevenção à Violência de Gênero no Brasil, conduzida pelo Núcleo de Estudos sobre Desigualdades Contemporâneas e Relações de Gênero (Nuderg) da UERJ, nos oferece um vasto quadro, a partir do ano de 2020, sobre o que tem sido produzido pelos movimentos sociais e instituições públicas no campo da prevenção, além de recuperar a história desse importante instrumento de comunicação social. A organização dos cartazes das campanhas, com suas cores e mensagens, se constitui em uma iconografia de como se fala, o que se fala e para quem se fala sobre violência de gênero no

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