Personagens

Quais personagens estão representadas nas campanhas?

A forma como as vítimas aparecem representadas nas campanhas revela uma desconexão em relação aos dados reais de vitimização: há uma predominância de mulheres brancas, assim como os agressores, que também são majoritariamente retratados como brancos. Em parte, podemos explicar esse fato pelo uso de fotos e ilustrações de bancos de imagens, que muitas vezes são feitas em países do norte global. 

No entanto, essa escolha acaba reforçando um viés racial significativo, responsável pelo caráter genérico de diversas campanhas. Falta, em muitos desses materiais, um recorte mais específico que também leve em consideração as particularidades regionais, raciais, de classe, territoriais, entre outras, que influenciam as diferentes experiências e percepções sobre a violência. 

Estas são algumas das possíveis consequências da escolha de personagens genéricos para campanhas:

  1. Desconexão com o público-alvo
  2. Reforço de estereótipos
  3. Invisibilização de grupos vulneráveis
  4. Falta de reconhecimento das interseccionalidades
  5. Redução da eficácia das campanhas

Como são estes personagens?

As campanhas de prevenção à violência de gênero trazem uma variedade de personagens que espelham os diferentes papéis e dinâmicas presentes nessa realidade na tentativa de sensibilizar e engajar o público na transformação de atitudes.

 As mulheres que não são vítimas de violência são retratadas como exemplos de força, coragem e resiliência, enfatizando o poder da resistência feminina. Já as mulheres vítimas são representadas de forma a expor os impactos profundos e duradouros que a violência provoca em suas vidas, mostrando as múltiplas facetas do sofrimento físico, emocional e psicológico.

Por outro lado, os homens agressores aparecem como símbolos do abuso de poder e da perpetuação de comportamentos violentos e machistas. Em contraste, os homens que não são agressores são mostrados como aliados importantes na luta pela igualdade de gênero, promovendo exemplos de masculinidade positiva e respeito mútuo. Esse contraste busca demonstrar que o papel dos homens também é fundamental na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

As crianças, frequentemente representadas como vítimas indiretas ou testemunhas da violência doméstica, são retratadas de maneira que trazem à tona as consequências devastadoras que esses traumas têm sobre seu desenvolvimento emocional e psicológico. A presença delas nas campanhas ressalta a urgência de quebrar o ciclo da violência e proteger as gerações futuras.

A junção dessas representações tem como objetivo criar uma narrativa educativa capaz de sensibilizar a sociedade para os danos provocados pela violência de gênero, ao mesmo tempo que busca promover a mobilização coletiva para sua prevenção e combate.

Quem são os personagens?

Mulher vítima

As campanhas de prevenção à violência de gênero costumam retratar meninas e mulheres vítimas de violência de maneira que desperta empatia e conscientização, destacando a a partir da sua vulnerabilidade e daas consequências físicas e emocionais dos abusos sofridos. Essas representações buscam sensibilizar o público e gerar empatiapara a gravidade do problema., mostrando o impacto devastador da violência sobre as vítimas e suas famílias. É possível Muitas notar que por vezes, no entanto, campanhas que retratam mulheres vítimas reforçam estereótipos de passividade ou fragilidade feminina, enquanto outras transmitem mensagens de promoção da autonomia das mulheres, destacando sua força e resiliência, além de incentivar o apoio social e institucional para romper o ciclo de violência.

Mulher não-vítima

Nas campanhas de prevenção à violência de gênero, a representação de mulheres não-vítimas desempenha um papel crucial ao destacar a autonomia, a força e a capacidade de agir de maneira proativa em busca de direitos e proteção. Essas mulheres são retratadas como figuras de liderança, que não apenas escapam da condição de vítimas, mas também incentivam outras a reconhecer e combater situações de violência. Elas representam a resistência e a possibilidade de transformação, ajudando a quebrar estereótipos de vulnerabilidade passiva, enquanto reforçam a importância da sororidade e da rede de apoio na construção de uma sociedade mais igualitária e segura para todas as mulheres.

Homem agressor

As campanhas de prevenção à violência de gênero geralmente retratam o homem agressor como figura central da problemática, buscando expor o comportamento abusivo e desconstruir a naturalização da violência em relações de poder. Essas campanhas tentam conscientizar sobre as várias formas de agressão, desde a física até a psicológica, mostrando que o agressor pode ser qualquer homem, independentemente de classe social ou escolaridade. No entanto, é crucial que essas representações não reforcem a masculinidade tóxica como padrão normativo e inalterável, mas sim abram espaço para o diálogo sobre a necessidade de mudanças de comportamento e a responsabilização do agressor, promovendo atitudes de respeito e igualdade.

Homem não-agressor

As campanhas de prevenção à violência de gênero geralmente retratam o homem agressor como figura central da problemática, buscando expor o comportamento abusivo e desconstruir a naturalização da violência em relações de poder. Essas campanhas tentam conscientizar sobre as várias formas de agressão, desde a física até a psicológica, mostrando que o agressor pode ser qualquer homem, independentemente de classe social ou escolaridade. No entanto, é crucial que essas representações não reforcem a masculinidade tóxica como padrão normativo e inalterável, mas sim abram espaço para o diálogo sobre a necessidade de mudanças de comportamento e a responsabilização do agressor, promovendo atitudes de respeito e igualdade.

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